maio 21, 2019

assisti cemitério maldito e gente... vou falar

obviamente contém spoilers, bb.


amante de cinema e de filmes de terror que sou, quando anunciaram o remake de cemitério maldito (pet sematary), a emoção foi grande. aqui uma pausa para confessar que: nunca li o livro de stephen king, mas sim, já assisti o primeiro filme, lançado em 1989. aliás,se você que lê essa resenha nunca assistiu ao filme "original", recomendo muito.

era uma quinta-feira fria em bh, 16 de maio, cinema do diamond mall com pouquíssimas pessoas e o casal ao lado comia um balde de frango frito. meia hora de trailer - sem exageros... e enfim, o filme.

para contextualizar quem não conhece enredo, cemitério maldito conta a história da família creed: louis, rachel e os filhos ellie e gage. ele, médico na cidade de chicago, recebe um convite para trabalhar na universidade do maine e por isso se muda com toda a família (e o gato church - uma homenagem a winston churchill) para uma grande casa na pacata cidade de ludlow. a propriedade possui alguns hectares de terra e dentro desse perímetro, existe um pequeno cemitério de animais... e algo a mais.

quando o gato church morre atropelado na autoestrada que passa logo em frente à casa dos creed, jud, vizinho da família, instrui louis a enterrar o animal nas terras indígenas além do cemitério. no dia seguinte, quando church aparece vivo - porém um pouco diferente - louis descobre os poderes daquele solo.

oi gent, volteikkk miau
aqui as coisas começam a ficar diferentes entre o primeiro e o segundo filme. no clássico de 89, quem morre alguns meses depois é o pequeno gage. já na produção de 2019, é durante sua festa de 9 anos que ellie é atropelada por um caminhão e acaba morrendo na hora.

as mudanças feitas na história não agregam muito ao resultado final... pelo contrário, pelo menos pra mim, quando as coisas começaram a tomar um rumo meio diferente, metade da experiência já perdeu a graça.

a história ganha contornos meio forçados e geram um resultado que beira um certo ridículo, principalmente quando nos aproximamos do final do filme. foi difícil assistir e pensar: "é sério isso?". meu marido cochilou no cinema. 

aqui me aproprio de uma das clássicas falas de jud, para dizer que sometimes, dead is better... 
a gente realmente não precisava de outra adaptação de cemitério maldito. a dica é: se puder, evite.

maio 13, 2019

olha ela, quem é ela?

volta e meia isso acontece. 

escrever na internet é algo que eu já faço há algum tempo. abandonar esse hábito, também. nesse ciclo vicioso de comportamento, já fiz muita coisa legal e também já fiz muita coisa ruim. faz parte. hoje é dia de começar de novo, mais uma vez... porém nem tanto.

diferentemente de todas as outras vezes que eu decidi (re)começar um blog, não estou ociosa e muito menos com excesso de tempo livre. também não estou vivendo um surto criativo e começando do zero. resolvi reciclar.

eu trabalho na internet e com internet. produzo conteúdo diariamente, mas sinto falta de fazer algo por mim e para mim. esse, na verdade, sempre foi o principal motivo por trás de todas as vezes que eu decidi blogar, mas sempre que esbarrava com algum bloqueio criativo, aquilo começava a se arrastar por semanas até que simplesmente morria. é, principalmente, isso que quero mudar.

por trás do desejo de falar bobagens sobre qualquer assunto, também quero aprender a lidar com a impossibilidade de falar o tempo todo. se um dia o texto agarrar, beleza. se isso se arrastar por semanas, beleza também. minha vida não precisa seguir o ciclo dos prazos que regem todos os outros aspectos do meu dia-a-dia, tanto na vida pessoal quanto profissional.

nesse tempo que sumi, muita coisa aconteceu: comecei a trabalhar num lugar que sempre sonhei, fiz 30 anos, passei a gostar (e comprar) de plantas, abandonei a terapia, descobri que tenho refluxo, continuo tendo crises de ansiedade, passei a ter menos tempo para fazer as coisas que amo... enfim, tudo isso pode (e talvez) seja abordado em futuros textos.

por ora, fiquem com isso: voltei - e espero ficar.

[edit] estou desarquivando textos antigos ao quais sou muito apegada <3

abril 03, 2018

O banco de trás

A sensação de ver a paisagem "correndo" pelo lado de fora da janela era inquietante. Melhor ainda era poder me deitar no banco e assistir as luzes passando com uma velocidade muito maior do que a que eu podia alcançar com o movimento dos olhos... sensação de liberdade, de velocidade! Assim me lembro do banco de trás do carro do me pai. Das memórias que tenho da minha infância, essa é uma das que permanece mais viva dentro de mim. 

Lembro de voltarmos para casa inúmeras vezes, no fim de tarde, já escurecendo, e sentir o frio na barriga quando o carro acelerado entrava em alguma descida mais ingrime. Belo Horizonte é assim, morro pra todo lado! Uma hora você sobre, noutra você desce... Quase nunca está em vias planas. Mas aquele frio na barriga, aquele que eu sentia quando era pequena, nunca mais senti.

Talvez soe bobo, pequeno, mas sim... esse frio na barriga do carro que desce rápido uma rua ingrime é a experiência mais memorável que tive no banco de trás de um carro. No carro do me pai, quando eu ainda era pequena de mais para sentar e alcançar o chão com os pés.

Frio na barriga, saudades. 

março 27, 2018

Vinte e nove

Já passa da meia noite e com isso me dou conta de que faltam 29 dias para meu vigésimo nono aniversário. É um contagem regressiva cheia de expectativas e desejos de superação. Pela primeira vez soprarei as velas sem ter meus pais ao meu lado. 
Colagem: A teoria de todas as coisas/Ana Mattos
Aniversário é ano novo, página em branco, recomeço... pelo menos é assim que eu encaro as coisas por aqui. Com isso, um pouquinho do vazio que eu sinto se preenche com as esperanças de renovação.

Os planos para o "grande dia" são muitos: bolo, bebidas, balões, muitas fotos e amigos reunidos aqui em casa, do jeito que eu mais amo! Mas, também quero me planejar para os dias que precedem meu aniversário: aproveitar os 29 dias que tenho até lá, para me dar pequenos presentes. Alguns materiais, outros não.

Quero colocar minhas leituras em dia, assistir mais filmes, tocar o projeto de decoração do apê, retomar meu bullet journal e enfim, curtir mais da minha própria companhia. 

É isso, esse é o presente que me darei esse ano: mais de mim mesma

O blog também é parte desse projeto. É por isso que se você já frequenta esse endereço, percebeu mudanças. Não, não é novidade nenhuma que eu vivo remexendo o visual desse diário, mais eis um formato que finalmente casou com o que eu buscava todo esse tempo (e sim, as colagens voltaram <3). Portanto, não esperem outras mudanças tão cedo! Esse formato veio para ficar (será?).

Então é isso.Seja bem-vindo, inferno astral... desejo que você seja paraíso!

dezembro 27, 2017

Let us dance in the sun, wearing wild flowers in our hair


Não faz muito tempo que vocês chegaram por aqui, talvez dois ou três meses. Logo de cara puderam perceber que a gente mora num apê cercado de outras construções e por isso, o sol nem sempre dá as caras em todos os cômodos.

Eu nunca cuidei de plantas e em meio à rotina diária, é difícil lembrar de aguar vocês com a frequência certa - e adequada a cada espécie - e então, veja bem onde chegamos. As folhas perderam aquele tom de verde vibrante, dando lugar a um amarronzado quase sem vida.

Minha mãe sempre me disse que é bom conversarmos com as plantas, pois elas nos escutam e sentem. Este é meu apelo a vocês: vivam! ainda que o sol não brilhe todos os dias e que nem sempre seja possível matar a sede.

A vida é muito mais que isso. A vida é risada, lágrimas, lembranças, cheiros incríveis, chocolates em excesso, erros e acertos, luz e escuridão, água e secura... e acima de tudo, ela vale a pena sempre.

novembro 21, 2017

sessão de terapia - 642 coisas sobre as quais escrever #2


ilustração: keith negley
a palavra terapia soa - em minha cabeça - um tanto invasiva. sentar diante de um (a) estranho (a) e despejar-lhe minhas aflições é algo que causa verdadeira torção de nós no estômago, e mesmo assim, lá vou eu em direção ao consultório do psicólogo.

aflita, sentei na sala de espera tentando manter a postura de quem já fez isso várias vezes e encara aquela consulta como algo muito natural. por dentro gritava "AAAAAAAAAAAAA". o tempo pareceu passar mais lento que o normal e a ansiedade já fazia seu papel: mãos suadas, dores no estômago, cabeça latejando... vontade de sair correndo, mas sem forças para fazê-lo.

eis que ouço chamarem meu nome. levanto decidida, mas as pernas quase cedem sob tamanha responsabilidade de dar os passos finais para fazer da tal terapia.

o nome do psicólogo era jacques (como o famoso psicanalista de sobrenome lacan) e já achei tudo muito caricato - quase uma pegadinha. ele me recebeu alegre, mas com a devida formalidade que o ambiente exigia. apesar disso, ele trajava calça cáqui, tênis esportivo e uma camisa xadrez que provavelmente já viu dias melhores. também cheirava a cigarro.

me sentei em um sofá de dois lugares, feito em couro marrom escuro. parece que o famoso divã caiu em desuso e com isso fiquei aliviada. a ideia de expor meus sentimentos e pensamentos mais íntimos enquanto fico informalmente estirada no dito cujo me parecia ainda mais desconcertante. 

jacques se sentou em uma poltrona posicionada logo à minha frente. empunhando um bloco de notas com a capa preta e uma caneta dessas que parecem caras (e não combinavam com seu figurino desleixado), cruzou as pernas, deu um discreto sorriso e disse "vamos começar?"

antes que eu pudesse organizar meus pensamentos e formar uma frase que fizesse sentido, me debulhei em lágrimas. não foi um choro discreto e imagino que as pessoas do lado de fora, na sala de espera, podiam ouvi-lo com clareza. foi um choro acompanhado de soluços, nariz escorrendo, rosto vermelho e boca trêmula. um espetáculo completo!

criei coragem para levantar o rosto e analisar a reação do psicólogo que sentava ali. para minha surpresa, sua expressão não sofreu qualquer alteração. gentilmente me entregou uma caixa de lenços e depois escreveu uma breve observação em seu bloco de notas. fiquei curiosa mas não soube reagir. 

ainda chorando muito, dei um passeio pelo consultório com o olhar embaçado pelas lágrimas. as paredes eram brancas e nela via-se alguns quadros, certificados e diplomas. num canto à minha esquerda, uma mesa de madeira robusta abrigava um computador com ares de antiguidade. por de trás dela, uma estante cuspia livros distantes de mais para que eu pudesse identificá-los.

sem que eu me desse conta, o choro foi diminuindo e aos poucos consegui tomar as rédias das minhas emoções. me recompondo aos poucos, ouvi a voz de jacques pela terceira vez naquela consulta. sem querer me cortar de maneira abrupta, perguntou se eu estava melhor - ao que respondi com um leve aceno de cabeça -, disse que nosso tempo havia se encerrado e que nos veríamos na semana seguinte. também completou dizendo que a sessão havia sido bastante produtiva, ao que quase reagi com uma gargalhada.

tentei não deixar que ele notasse meu choque ao perceber que havia chorado sem parar por uma hora inteira em frente a um estranho. devolvi a caixa de lenços pela metade, me recompus, peguei a bolsa, me despedi com os olhos fixos no chão e sai. na sala de espera pedi um copo d'água à uma secretária muito solícita. nas cadeiras de espera, um rapaz nervoso de mais para disfarçar. talvez aquela também fosse sua primeira sessão de terapia e meu choro histérico tenha lhe trazido ainda mais preocupação. 

enquanto tomava a água, a porta se abriu e jacques chamou pelo rapaz: "augusto, pode entrar." ele se levantou, me pareceu ainda mais inseguro e as pernas quase cederam sob tamanha responsabilidade. augusto dava os passos finais para fazer da tal terapia.

novembro 18, 2017

uma metáfora sobre a (minha) vida

ou, sobre a chuva que vem de repente

o céu estava aberto e a moça de vestido laranja e sapatos baixos se colocou de pé no ponto de ônibus aguardando veículo que fosse carregá-la ao seu destino. a rua estava movimentada e o comércio ainda funcionava agitado.

aos poucos foi percebendo que o tempo começava a virar. primeiro o vento, em seguida o surgimento ainda tímido de algumas nuvens cinzas. sentiu-se tranquila pois o guarda-chuva estava na bolsa. imagina-se que também pensou consigo "coitado dos despreparados"... disso já não se pode saber com certeza, pois a cena toda era acompanhada a distância, por uma mulher que se debruçou na janela ansiosa pela tempestade que ia passar.  

o vento foi ganhando forças e as nuvens carregadas começaram a perder a timidez, formando uma grossa camada que escondia o céu azulado. a chuva se formava de maneira curiosa: parecia uma escola de samba pronta para cruzar a avenida, indo de um ponto a outro, servindo de espetáculo ao público.

a mulher debruçada na janela observava a cena com curiosidade.

a moça de vestido laranja abriu seu guarda-chuva num gesto confiante de quem tenta estar sempre um passo à frente. olhava para os demais pedestres: uns também já haviam aberto seus guarda-chuvas, outros corriam e procuravam abrigo em alguma loja, com a desculpa de estar procurando alguma coisa para comprar, ou debaixo de alguma marquise, sem tanto pudor. aprumou ainda mais seu corpo, como se fizesse um gesto de vitória: "essa tempestade não me pega!"

a chuva grossa começou a cair. 
a mulher olhava da janela.
a moça de vestido laranja orgulhava-se da sua precaução em forma de guarda-chuva.

a confiança parecia não ser virtude somente dela. perdendo a timidez, o vento soprava cada vez mais forte e fazia esvoaçar os cabelos e o vestido laranja da moça que começava a se incomodar. o guarda-chuva não a protegia do vento que insistia em levar a tempestade até ela.

num sopro repentino, lá se foi o guarda-chuva e com ele, lá se foi a calma da moça de vestido laranja.

ainda na janela, a mulher observava a cena: parecia impossível, mas a tempestade e o vento ganharam ainda mais força.  

a moça de vestido laranja - e agora sem guarda-chuva - dá alguns passos incertos na tentativa de recuperar o objeto que lhe foi tomado. distraiu-se a ponto de não perceber que o vento agora agitava mais que a chuva e soltava no ar pequenas folhas e pedregulhos. 

recuperou o guarda-chuva que havia caído a poucos metros e a mulher da janela pensou ter notado um pequeno sorriso no canto da boca da moça de vestido laranja que ainda se erguia distraída. tão distraída que não percebeu o que vinha em sua direção: ao se virar, o vento a atingiu em cheio com uma pedrada no peito. 

sem graça, curvada e derrotada, a moça de vestido laranja desistiu de esperar pelo ônibus. se pôs rente à calçada segurando seu guarda-chuva em frangalhos, acenou, entrou no táxi e partiu. a mulher da janela pensou:  "lá vai ela. certamente chegará ao seu destino, mas aposto: não esperava levar uma pedrada no caminho."